A COBERTURA

As coberturas tem sido o padrão e reflexo de uma povoação, civilização, estrutura eco demográfico ou o reflexo de  economia e demografia de uma civilização, a moral da história é resumida nas situações econômicas  e politicas ao longo deste século, de onde partem as grandes decisões que têm impacto a escala global, por outro lado é onde parte as ideias que conduziram os grandes avanços tecnológicos da atualidade, essas duas visão não são propriamente o propósito desta publicação. Essa publicação tem por base um angulo de visão estreito sobre a importância das coberturas, a imagem que transmitem e sobretudo a ilusão que representam.

Grandes decisões que mudaram o planeta

A história costuma ser contada através de invenções, batalhas ou descobertas, mas boa parte do mundo em que vivemos hoje não nasceu de um acaso nem de um avanço técnico isolado. Nasceu de decisões: escolhas deliberadas, tomadas por pessoas ou instituições específicas, em momentos específicos, muitas vezes sob enorme incerteza sobre o que viria a seguir. Algumas dessas decisões salvaram milhões de vidas. Outras redesenharam fronteiras, moedas e a própria atmosfera do planeta. Este texto reúne um conjunto delas — ambientais, políticas e científicas — para mostrar como escolhas pontuais, tomadas por um punhado de pessoas, acabaram moldando a vida de bilhões.

Decisões que salvaram o planeta físico

Poucos acordos internacionais têm um histórico de sucesso comparável ao Protocolo de Montreal. Em 16 de setembro de 1987, representantes de dezenas de países se reuniram na cidade canadense que dá nome ao tratado e decidiram eliminar progressivamente a produção de clorofluorcarbonos (CFCs) e outras substâncias que destruíam a camada de ozônio. A decisão foi tomada com base em evidências científicas ainda relativamente recentes — o buraco na camada de ozônio sobre a Antártida havia sido documentado apenas dois anos antes — e exigiu que indústrias inteiras, da refrigeração aos aerossóis, reformulassem seus produtos. O protocolo entrou em vigor em 1989 e se tornou o primeiro tratado da história a ser ratificado por todos os países do mundo. Hoje, cerca de 99% das substâncias que destroem o ozônio já foram eliminadas, e os cientistas estimam que a camada deve se recuperar totalmente por volta de meados deste século. É frequentemente citado como o exemplo mais bem-sucedido de cooperação ambiental multilateral já alcançado.

Quase três décadas depois, em 12 de dezembro de 2015, quase duzentos países reunidos em Paris durante a COP21 tomaram uma decisão de escopo ainda maior: comprometer-se a manter o aquecimento global "bem abaixo" de 2°C acima dos níveis pré-industriais, com esforços para limitá-lo a 1,5°C. Diferente de Montreal, o Acordo de Paris não impõe metas obrigatórias e enforçáveis a cada país — sua força vem da pressão coletiva e da revisão periódica dos compromissos nacionais. O acordo entrou em vigor em novembro de 2016 e continua sendo, até hoje, o principal marco de referência das políticas climáticas globais, mesmo em meio a idas e vindas de adesão por parte de diferentes governos ao longo dos anos.

Decisões que redesenharam a ordem política mundial

Em julho de 1944, com a Segunda Guerra Mundial ainda em curso, delegados de 44 países se reuniram no hotel Mount Washington, em Bretton Woods, New Hampshire, e tomaram uma decisão que definiria a economia mundial pelas décadas seguintes: atrelar o dólar americano ao ouro e as demais moedas ao dólar, criando ao mesmo tempo o Fundo Monetário Internacional e o que viria a se tornar o Banco Mundial. O sistema de câmbio fixo criado ali colapsaria formalmente em 1971, quando os Estados Unidos abandonaram unilateralmente o padrão-ouro, mas as instituições nascidas em Bretton Woods continuam, até hoje, no centro da arquitetura financeira internacional.

Um ano depois, em 1945, representantes de 50 países se reuniram na Conferência de São Francisco e, em 26 de junho, assinaram a Carta das Nações Unidas, criando uma organização concebida para evitar que o mundo vivesse uma terceira guerra mundial. A decisão de fundar a ONU — com um Conselho de Segurança dotado de poder de veto para as potências vencedoras da guerra — foi um compromisso deliberado entre o idealismo de uma governança global e o realismo de que as grandes potências não abririam mão de sua influência. A carta entrou em vigor em outubro daquele mesmo ano e, apesar de todas as críticas à eficácia do sistema, a ONU segue sendo o único fórum verdadeiramente universal de diplomacia internacional.

Nesse mesmo ano, outra decisão política de consequências permanentes foi tomada a portas fechadas: a de que os Estados Unidos usariam a bomba atômica contra o Japão. Em 6 de agosto de 1945, uma bomba nuclear foi lançada sobre Hiroshima; três dias depois, uma segunda foi lançada sobre Nagasaki. A decisão, tomada pelo presidente Harry Truman após meses de deliberação sobre como encerrar a guerra no Pacífico, inaugurou a era nuclear e definiu, de forma abrupta, o que uma única arma poderia fazer a uma cidade inteira. É, até hoje, o único uso de armas nucleares em um conflito armado — e o conhecimento do que aconteceu naquelas duas cidades ajuda a explicar por que nenhum outro governo tomou a mesma decisão desde então.

Decisões que abriram o futuro

Nem toda decisão que muda o planeta é assinada em uma sala de negociação diplomática. Algumas nascem de discursos e de escolhas técnicas aparentemente pequenas. Em 25 de maio de 1961, o presidente John F. Kennedy discursou perante o Congresso americano e declarou que os Estados Unidos deveriam levar um homem à Lua "antes que essa década termine". Era uma decisão política tanto quanto científica — motivada pela disputa da Guerra Fria com a União Soviética —, mas ela mobilizou centenas de milhares de engenheiros e um orçamento equivalente a dezenas de bilhões de dólares atuais, resultando no pouso da Apollo 11 em 1969 e deixando um legado tecnológico que vai de satélites de comunicação a materiais usados até hoje.

Décadas depois, outra decisão bem mais discreta teve um impacto igualmente vasto sobre a vida cotidiana de bilhões de pessoas. Em 30 de abril de 1993, o CERN, o laboratório europeu de física de partículas onde o cientista britânico Tim Berners-Lee havia inventado a World Wide Web poucos anos antes, decidiu tornar o software da web disponível gratuitamente para qualquer pessoa, sem exigir royalties. Não era o único caminho possível: o CERN poderia ter patenteado a tecnologia e cobrado licenças, como acontecia com outras invenções da época. Ao optar pela via aberta, a instituição permitiu que a web se espalhasse sem barreiras comerciais, tornando-se a infraestrutura sobre a qual boa parte da economia digital do século XXI foi construída.

Também no campo científico, mas voltada à saúde pública, está a decisão da Organização Mundial da Saúde, em 1967, de intensificar e coordenar globalmente uma campanha de erradicação da varíola — doença que, só naquele século, havia matado centenas de milhões de pessoas. A campanha combinou vacinação em massa com uma estratégia de vigilância e contenção de surtos, e exigiu cooperação entre países dos dois lados da Guerra Fria, algo raro naquele período. Em maio de 1980, a Assembleia Mundial da Saúde declarou oficialmente a varíola erradicada — até hoje, a única doença infecciosa humana a receber esse status. É um lembrete de que decisões coordenadas de saúde pública podem eliminar, por completo, uma ameaça que pareceu inevitável por milênios.

Uma última decisão, menos conhecida do grande público, mudou a relação da humanidade com a fome. A partir das décadas de 1940 e 1950, o agrônomo americano Norman Borlaug, financiado por fundações e pelo governo mexicano, decidiu concentrar anos de pesquisa no desenvolvimento de variedades de trigo anãs e de alto rendimento, resistentes a doenças. A decisão de investir pesadamente nessa linha de pesquisa agrícola — e de depois disseminá-la pela Ásia e América Latina — deu origem ao que ficou conhecido como Revolução Verde, multiplicando a produção de alimentos em regiões que enfrentavam fome crônica e evitando, segundo estimativas, crises de fome em escala massiva. Borlaug recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1970 por esse trabalho.

O que essas decisões têm em comum

Vistas em conjunto, essas escolhas revelam um padrão. Quase nenhuma delas parecia, no momento em que foi tomada, uma certeza garantida de sucesso. O Protocolo de Montreal foi negociado antes que houvesse certeza científica completa sobre a extensão do dano à camada de ozônio. A decisão do CERN abriu mão de uma fonte de receita significativa em nome de um benefício difuso e incerto. A campanha contra a varíola exigiu que países inimigos cooperassem em plena Guerra Fria. Em quase todos os casos, um pequeno grupo de pessoas — cientistas, diplomatas, funcionários públicos — teve que decidir sob incerteza, muitas vezes contra a inércia institucional ou a pressão de interesses estabelecidos.

Nem todas essas decisões tiveram consequências inteiramente positivas, e algumas — como o uso da bomba atômica — permanecem moralmente controversas até hoje, mesmo décadas depois. Mas o fio comum entre elas é que o curso da história planetária não foi determinado apenas por forças impessoais como o mercado, a tecnologia ou o clima. Foi, em boa medida, o resultado de escolhas humanas específicas, tomadas em salas específicas, por pessoas que decidiram agir de um jeito e não de outro. É um lembrete útil num momento em que o planeta enfrenta novas decisões dessa mesma magnitude — sobre inteligência artificial, sobre a próxima fase da crise climática, sobre a governança de tecnologias emergentes — ainda por serem tomadas.


Fontes consultadas: Britannica – Montreal Protocol; UNEP – About the Montreal Protocol; UNFCCC – The Paris Agreement Exhibit; Britannica – Paris Agreement; Federal Reserve History – Creation of the Bretton Woods System; National WWII Museum – The 1944 Bretton Woods Conference; United Nations – The Story of the Charter; National Archives – United Nations Charter (1945); Truman Library – Decision to Drop the Atomic Bomb; Britannica – The decision to use the atomic bomb; NASA – The Decision to Go to the Moon; JFK Library Archives – "We Choose to Go to the Moon"; CERN – 30 years of a free and open Web; CERN – CERN celebrates Web anniversary; WHO – The Smallpox Eradication Programme (1966–1980); CDC – History of Smallpox; Nobel Prize – Norman Borlaug Facts; CGIAR – World-changing wheat.


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